Polícia saudita detém mulher por conversar no café com um colega

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Fábio Canceiro

A polícia religiosa saudita apresentou na segunda feira aos jornais a sua versão da detenção de uma mulher norte-americana e do seu colega no café Starbucks o que provocou uma nova onda de críticas às políticas de segregação por género praticadas naquele país.
A detenção da mulher, conhecida nos meios de comunicação locais Yara, pela polícia religiosa saudita, foi polémica. Um escritor saudita condenou esta acção e considerou-a “um rapto” e um grupo de direitos humanos locais pediu explicações à polícia religiosa.
“A lei islâmica não nega a proibição de uma mulher se sentar com um homem que não é seu parente e trocar palavras e sorrisos com ele”, disse Abdullah al- Shithri da Comissão para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício aos jornais sauditas.
A Comissão disse que enviou os seus homens a Starbucks depois de receber a informação de que um homem estava sentado com uma mulher que “lhe mostrava o cabelo e estava maquilhada.
Familiares próximos da mulher negaram que esta estivesse maquilhada e dizem que vestia uma burca negra.
A história de Yara, que surgiu no jornal Arab News, em língua inglesa, é um de vários incidentes que têm vindo a envolver esta Comissão. O ano passado, membros da polícia religiosa foram visados em dois casos distintos que envolveu a morte de um homem que se encontrava sob custódia da comissão
Em 2007, um grupo de raparigas que foram violadas, foram condenadas a seis meses de prisão e a noventa chicotadas por estarem num carro com homens desconhecidos.
A polícia política tem vindo a reforçar as rigorosas regras que pautam a conduta e o estilo de vida Islâmico. A polícia patrulha todos os locais públicos para assegurar que as mulheres estão cobertas e sem maquilhagem e que os homens não se misturam com elas. As lojas fecham cinco vezes por dia para orações.
Vários sauditas dizem que apoiam a comissão porque esta se rege pelos versos do Alcorão, contudo admitem que muitas vezes os seus membros “vão mais além do seu dever” e que por isso esta deve ser regulada.
Yakin Erturk, investigador especial das Nações Unidas para a violência contra as mulheres, disse, que o caso de Yara era “um claro exemplo de tortura”. “Ela foi humilhada e tratada ilegalmente”, de acordo com o jornal Arab News.
A Sociedade Nacional da Arábia Saudita para os Direitos Humanos disse querer saber porque é que o membro da comissão, no momento da detenção, não levava nenhuma escolta, nem um distintivo de identificação.
De acordo com familiares, Yara, de 37 anos e natural de Salt Lake City, estava no restaurante a verificar a sua conexão de Internet sem fios, quando um colega sírio se juntou a ela na secção familiar do café destinada a mulheres e família.
Teria sido nesta altura que outro homem apareceu e lhe perguntou se o homem com quem Yara estava sentada era seu marido. Quando Yara disse que não, o homem disse que cometia um grande pecado e que teria de assinar uns papéis que estavam num táxi á sua espera. Perante a recusa da mulher em entrar no veículo, o homem disse que “era do governo”, contam os familiares.
Sem telefone que tinha sido tirado pelo membro da comissão Yara não conseguiu contactar o marido. Foi levada para a sede da comissão e obrigada a sentar-se num jipe sem bancos com um clérigo muçulmano que lhe dizia que iria ser queimada no inferno pelo seu pecado.
Em vez de ser solta, Yara foi conduzida à cadeia Malaz em Riade, onde foi obrigada a tirar a roupa numa casa de banho suja, a agachar-se várias vezes e a vestir uma roupa deixada para ela num andar sujo. Facto que a comissão nega
Yara viria a ser libertada 5 horas depois da sua detenção.

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